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Reino Unido anuncia mais 3 semanas de isolamento social

No dia 16 de Abril, o Secretário de Estado Dominic Raab fez um discurso revendo as medidas de isolamento social, conforme haviam prometido 3 semanas atrás.

Sem surpresas nenhuma, o “lockdown” continuará por mais 3 semanas em todo o Reino Unido e depois disso, irão rever novamente quais os próximos passos.

Segundo ele, estamos em uma fase delicada e perigosa desta pandemia e relaxar as medidas agora poderia por em risco e prejudicar a saúde pública e a economia.
Se nos apressarmos a relaxar as medidas que adotamos, correremos o risco de desperdiçar todos os sacrifícios e todo o progresso que foi feito até agora.

Inclusive podendo haver um segundo pico do vírus e com isso um novo “lockdown”, com toda a ameaça na saúde e na vida dos indivíduos, além de todos os danos econômicos que um segundo isolamento traria.

O Ministro disse que cinco condições precisam ser cumpridas antes que se possa analizar um possível “relaxamento” no isolamento social no Reino Unido:

– Garantir que o NHS (SUS daqui) consiga fornecer cuidados críticos e tratamento especializado em todo o Reino Unido;
– Uma queda consistente na taxa de mortalidade diária devido ao vírus, tendo a certeza de que passamos do pico;
– Dados confiáveis mostrando que a taxa de infecção está diminuindo para “níveis gerenciáveis”;
– Garantir o fornecimento de testes e equipamentos de proteção individual que possam atender à uma futura demanda;
– Ter a certeza que qualquer ajuste não acarretará em um segundo pico.

Uma das críticas é o fato de o governo não declarar quais serão as estratégias para quando sairmos do isolamento: como será feito, quais as medidas, quais instituições poderão reabrir, etc.
Segundo Raab, seria irresponsável da parte deles, falarem de algo sem coletar as informações necessárias para poder repassar para a população de forma correta e com bases fortes.

Na minha opinião, eles estão certos. Como estamos 2 – 3 semanas atrás da Itália, França e Espanha, podemos aprender com os erros e acertos e ver, conforme as medidas que esses países forem tomando, quais as que deram certo ou não e então aplicar aqui.
Esse é um processo de aprendizado, onde cada país vai se adaptando conforme os resultados do anterior.

Uma coisa é certa e todos concordam, a nossa vida só voltará ao normal quando uma vacina for desenvolvida e quando um medicamento seja realmente eficaz na maioria dos casos. Até lá, será necessário medidas de distanciamento social.

Falando em casos, o Reino Unido está com mais de 103.000 casos de pessoas testadas positivas e no momento, infelizmente mais de 13.000 vieram a falecer.

E cada semana temos uma nova polêmica por aqui.

Essa semana é sobre as casas de repouso. Conforme eu já havia comentado alguns dias atrás (aqui), o número de infectados e de falecimentos não são exatos, pois estão entrando nas estatísticas apenas os que ocorrem nos hospitais. Infelizmente, os idosos que vieram a falecer em suas casas ou nos asilos, não foram contabilizados.

Isso está sendo um dos grandes desafios, pois existem mais de 15.000 casas de repouso na Inglaterra, em comparação com cerca de 200 hospitais.

Porém, conforme explicado, os hospitais já estão familiarizados com os procedimentos e por isso que o Ministério da Saúde está usando esses números em suas estatísticas referentes ao COVID-19.

Já as informações de casualidades em casas e lares de idosos, demoram mais para serem repassadas, além de essas pessoas terem que ser testadas (e isso leva tempo), para ter a certeza que a causa mortis foi devida ao coronavírus.

Para termos uma ideia, há um atraso de duas semanas nos dados coletados para as estatísticas oficiais. Os números mais recentes são da semana que termina em 3 de abril.

Além desse problema, os funcionários desses asilos vêm dizendo há algumas semanas que está difícil obter os equipamentos de proteção individual, como luvas descartáveis, aventais e máscaras faciais, para manter seus funcionários e clientes seguros.

O governo diz que já entregou sete milhões de itens, o que significa que todo lar registrado deve receber 300 itens. O que parece não ser o suficiente!

Todos os dias às 17 horas, o Ministro da Saúde, das Finanças ou do Comércio Exterior, juntamente com mais duas pessoas, fazem umas conferência, onde nos informam de novas medidas e o que está sendo feito em relação à economia e à saúde. Eles também respondem perguntas de diversos jornalistas, por meio de videoconferência.

No dia 16, o Prof Chris Whitty pediu nessa conferência, que as pessoas que estiverem com problemas sérios, irem ao hospital, que eles “continuam abertos” normalmente.
Pessoas acabaram falecendo ou ficando extremamente doentes por causa de alguma emergência, mas ficaram com receio de ir ao hospital e pegar o coronavírus ou porque acham que não estão atendendo normalmente.

Como parte das novas diretrizes do governo, o Ministro da Saúde anunciou que membros da família de parentes que estejam morrendo, poderão visitá-los nas casas de repouso ou hospital, para se despedir.

Ele disse que o Reino Unido introduzirá novas medidas para “limitar o risco de infecção” e permitir o adeus “sempre que possível”.

Até o momento, bancos e instituições financeiras emprestaram mais de 1.1 bilhão de libras a pequenas e médias empresas sob o esquema de empréstimos referente ao coronavírus. Mais de 6.000 empréstimos já foram concedidos, com um valor médio de cerca de £185.000.

Mas a mensagem de pequenas empresas e políticos é que os empréstimos estão sendo aprovados muito lentamente e que o governo deve introduzir reformas urgentes no esquema para impedir que as empresas acabem falindo.

Recentemente, os agricultores britânicos alertaram que as colheitas poderiam apodrecer devido à escassez de trabalhadores sazonais vindos da Europa Oriental, que acabaram ficando em seus países por causa das restrições de viagem.
Portanto, trabalhadores agrícolas estão sendo trazidos para o Reino Unido em voos fretados para colher frutas e hortaliças.

O primeiro vôo chegou no dia 16 de Abril, transportando 150 trabalhadores rurais romenos. Esse foi o primeiro de seis voos a operar entre meados de abril e o final de junho com esse objetivo.

Lógico que o grupo será monitorado na chegada ao Reino Unido e qualquer pessoa que esteja com uma temperatura mais alta ficará em quarentena.

Mas não tenho apenas notícias ruins!

Na tentativa de arrecadar £1000 para uma instituição de caridade do NHS, o veterano de guerra, Capt Tom Moore, com 99 anos, caminhou 100 voltas de 25 metros em seu jardim, com a ajuda de um andador.
A ideia era fazer essa caminhada e arrecadar esse dinheiro antes do seu aniversário de 100 anos, que será no dia 30 de Abril.

Resutado: Tom completou as 100 voltas no dia 16 de manhã e arrecadou mais de 12 milhões de libras.
Com esse resultado, ele decidiu que continuará caminhando todos os dias, até que as doações parem. No momento, dia 17 de Abril, a arrecadação passa de 18 milhões de libras. Que senhor mais incrível, hein? Um verdadeiro herói…

As doações continuam abertas, caso queira doar, basta entrar nesse site: https://www.justgiving.com/fundraising/tomswalkforthenhs

A Mercedes-Benz Formula Um em conjunto com a UCL University College of London entregaram mais de 10.000 dispositivos CPAP.

O design da Mercedes-Benz Formula Um conhecido como CPAP é um aparelho respiratório para ajudar pacientes com infecções pulmonares a respirar mais facilmente quando uma máscara de oxigênio é insuficiente, mas não é necessário um respirador completo.

Várias iniciativas surgiram para oferecer aos funcionários do NHS férias gratuitas ou com desconto, uma vez que a pandemia passar e eles possam viajar novamente.

Desde o seu lançamento, a iniciativa #treatournhs já teve mais de 100 proprietários de acomodações em todo o Reino Unido se inscrevendo e oferecendo desde um fim de semana, um dia de spa, etc. Legal, né?

Enfim, eu teria muito mais informações para passar pra vocês, porém acho que já me estendi demais.

Acredito que se todos estivermos unidos e respeitando as regras de distanciamento social, por mais difícil que seja, estaremos salvando vidas, que no meu ver, ainda é o mais importante.

Se assim como estamos nos ajudando agora, nos ajudarmos depois, quando a crise econômica vier, tenho certeza que vamos passar por esse momento difícil e dar mais valor uns aos outros!

Um ótimo final de semana EM CASA!

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