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Recebi a 1a dose da Vacina Oxford-AstraZeneca

Não gosto muito de me expor e de falar sobre minha vida pessoal aqui no Butter.and.Fly, mas acho que é importante divulgar não apenas notícias ruins, como notícias boas também.

Prezo muito e sou muito agradecida por todos os envolvidos no combate ao COVID, pessoas que trabalham incansavelmente e que colocaram a sua pr√≥pria sa√ļde em prol da sa√ļde do pr√≥ximo.¬†

Além disso, muitas foram as pessoas envolvidas para que essas vacinas fossem possíveis e acho justo usar esse canal, para que a gente consiga divulgar que a vacina é sim o melhor caminho e que devemos confiar na ciência e naqueles que estão trabalhando para o nosso bem.

Portanto, vou contar um pouco, como o NHS (SUS daqui) vem trabalhando para ajudar a população a ter mais informação durante a pandemia e como esta sendo o processo de vacinação em massa. Também, vou fazer um breve resumo de como foi a minha trajetória para que eu recebesse essa vacina.

S√≥ lembrando que aqui, o sistema de sa√ļde privado n√£o est√° trabalhando com o COVID e somente o NHS √© quem est√° tratando as pessoas com sintomas e tamb√©m as interna√ß√Ķes.¬†

No início da pandemia aqui na Inglaterra, ali por meados de Março, o NHS usou o seu sistema, onde a maioria da população está registrada e tentou fazer uma lista separando as pessoas por idades, tipos de doenças, etc.

Assim, surgiu os grupos de prioridades e que agora est√£o na fila para a vacina, na seguinte ordem:

1. Residentes em lares de idosos e seus cuidadores;
2. Pessoas com 80 anos ou mais e assistentes sociais e de sa√ļde da linha de frente;
3. 75 anos ou mais;
4. Pessoas com 70 anos ou mais e indivíduos clinicamente extremamente vulneráveis (veja quem é de risco aqui Рem inglês);
5. 65 anos ou mais; 
6. 16 a 64 anos de idade com graves problemas de sa√ļde;
7. 60 anos ou mais;
8. 55 anos ou mais;
9. 50 anos e mais.

No momento, a meta do governo é vacinar os 4 primeiros grupos até metade de fevereiro e assim, os hospitais, na teoria, estarão menos sobrecarregados e talvez, possa haver um relaxamento do lockdown.

Enfim, quando o NHS formou essa lista de prioridades, determinados grupos foram solicitados através de cartas e de e-mails, para se isolarem totalmente (shielding). 

Eu, por ser do grupo “clinicamente e extremamente vulner√°vel‚ÄĚ pois n√£o tenho meu ba√ßo e por isso minha imunidade √© extremamente baixa, tive que me isolar e desde ent√£o, fico praticamente s√≥ em casa, saindo apenas para caminhar e tomar um ar fresco de vez em quando.¬†

Por todo esse período, fui recebendo cartas, e-mails e mensagens de texto do NHS ou da sub-prefeitura do bairro onde moro aqui em Londres. Nessas cartas, eles sempre explicavam o que estava acontecendo, quais as medidas eles estavam tomando, etc.

Foi também feito listas de prioridades e repassadas para os supermercados, para que essas pessoas que não podem sair de casa, tenham prioridades nas compras on-line. 

Eu nunca usei esse esquema, pois acho injusto com idosos e pessoas que realmente n√£o tem como fazer essas compras. Portanto, eu compro on-line, sem ter me registrado nessa lista.

Nas cartas, eles tamb√©m passam links e telefones para termos ajuda dos volunt√°rios (nunca usei), al√©m de v√°rios links para acessar ajuda de profissionais na √°rea da sa√ļde psicol√≥gica e emocional.

Confesso que desde final de dezembro, quando o Primeiro Ministro Boris anunciou que os 4 grupos tomariam a primeira dose até fevereiro, eu estava esperando ansiosamente o dia que receberia a carta dizendo quando eu poderia tomar a vacina. 

No domingo (dia 24) eu acabei recebendo uma mensagem de texto e até achei que era falsa (infelizmente está tendo muito golpe em relação a isso). 

Com medo de ser algum v√≠rus, esperei chegar a segunda-feira e liguei para o meu GP (m√©dico local), como eles n√£o est√£o atendendo nada relacionado com o COVID, eles me passaram um outro n√ļmero, onde liguei e para minha alegria, confirmaram que eu poderia ir no mesmo dia tomar a vacina.

Não foi preciso levar nada, eles marcaram um horário e quando cheguei ao local, havia uma fila. Esperei uns 30 minutos e haviam várias salas com médicos e enfermeiras trabalhando na aplicação.

A enfermeira e a médica me fizeram diversas perguntas e me falaram que a dose que estariam aplicando é da Oxford-AstraZeneca. Segundo elas, devo receber a segunda dose daqui 12 semanas e serei contactada pelo mesmo método que fui dessa vez.

A recomendação aqui, é mesmo que com a vacina, as pessoas continuem se protegendo e ficando em casa (shielding), pois o fato de estar vacinada, não significa que eu não possa me contagiar e espalhar a doença ou mesmo ficar com sintomas fortes, apesar de o risco de mortalidade ser bem mais baixo.

A segunda dose, devo tomar daqui algumas semanas e mesmo depois, eles pedem para que eu continue me isolando, pois eles estarão avaliando como o corpo das pessoas estão recebendo e se comportando com a vacina e também analisando quanto tempo a vacina traz de proteção.

Tudo ainda é muito incerto e o fato de que no dia 22 de Janeiro, o primeiro-ministro Boris Johnson fez um pronunciamento deixou a população bastante assustada.

Segundo ele, foram encontradas evidências de que a mutação do COVID originalmente vinda de Kent, no Sul da Inglaterra, além de se espalhar mais rapidamente, pode estar associada com um maior grau de mortalidade. 

Al√©m disso, as muta√ß√Ķes vindas do Brasil e da √Āfrica do Sul t√™m certas caracter√≠sticas que podem ser menos suscet√≠veis √†s vacinas.¬†

A vacina Pfizer e Oxford-AstraZeneca devem funcionar contra a variante que surgiu no Reino Unido, mas √© poss√≠vel que n√£o sejam t√£o eficazes contra a varia√ß√£o do Brasil e da √Āfrica do Sul.

Estudos sugerem que a variante de Kent se espalha entre 30% e 70% mais rápido do que outras e há indícios de que é cerca de 30% mais letal.

Por exemplo, se 1.000 homens em seus 60 anos fossem infectados com a variante antiga, cerca de 10 deles morreriam – mas isso sobe para cerca de 13 com a nova variante.

Sir Patrick Vallance, o principal conselheiro cient√≠fico do governo, descreveu os dados at√© agora como “ainda n√£o s√≥lidos”.

Ele disse: “Quero enfatizar que h√° muita incerteza em torno desses n√ļmeros e precisamos de mais estudos para obter um controle preciso, mas obviamente √© uma preocupa√ß√£o que essa varia√ß√£o tenha um aumento na mortalidade‚ÄĚ.

Devida √† essas incertezas e a preocupa√ß√£o pois o n√ļmero de pessoas que est√£o internadas com o COVID est√° alt√≠ssimo, na semana passada, o governo estendeu a proibi√ß√£o de viagens de/para a Am√©rica do Sul, Portugal e diversos pa√≠ses africanos.¬†

Além disso, todos os viajantes internacionais devem agora testar negativo antes de embarcar para o Reino Unido e é obrigatório entrar em quarentena na chegada.

Os n√ļmeros continuam assustando, pois mais de 3.6 milh√Ķes de pessoas foram testadas positivas e infelizmente mais de 97.900 pessoas vieram a falecer.¬†

O n√ļmero de casos atingiu n√≠veis recordes no in√≠cio de janeiro, devido a nova variante do v√≠rus, no entanto, os casos relatados diariamente, em m√©dia, agora parecem estar diminuindo. O que prova que o lockdown, apesar de ser controverso, ajuda sim na diminui√ß√£o da transmiss√£o.¬†

Os √ļltimos n√ļmeros tamb√©m mostram que mais de 6,3 milh√Ķes de pessoas no Reino Unido j√° receberam a primeira dose da vacina e mais de 460.000 pessoas j√° receberam a segunda.

Porém, diversos médico e cientistas estão convocando o diretor médico da Inglaterra e pedindo para reduzir a diferença entre a primeira e a segunda doses da vacina Pfizer-BioNTech.

No momento, o governo est√° dando a primeira dose e esperando at√© 12 semanas para dar a segunda, mas a “British Medical Association” disse que deveria ser alterado para seis semanas.

Outra preocupa√ß√£o √© quanto as escolas, que no momento est√£o fechadas. Parlamentares, professores e pais querem uma data de quando as aulas presenciais poder√£o retornar, mas, Boris Johnson disse que ele n√£o quer suspender as restri√ß√Ķes enquanto a taxa de infec√ß√£o ainda est√° muito alta e portanto, ele n√£o garante que as escolas reabriram antes da P√°scoa.

Segundo ele, o governo est√° “olhando para o potencial de relaxar algumas medidas” antes de meados de fevereiro, o que significa que os dados ser√£o analisados para decidir “o que podemos ou n√£o ser capazes de reabrir a partir de 15 de fevereiro‚ÄĚ.

Portanto, o que nos resta é esperar até metade de Fevereiro e ver quais serão as próximas regras, se é que algo irá mudar até lá.

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