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Mais notícias sobre o COVID-19 no Reino Unido

Em primeiro lugar, vamos a uma ótima notícia: o primeiro teste humano, na Europa, de uma vacina contra o coronavírus começou na cidade de Oxford, aqui na Inglaterra no dia 23 de Abril.
Lógico que são apenas testes e não há garantias de que funcione. Mas o fato de já estarem testando em humanos é um grande avanço e uma esperança para todos nós.

A maioria dos especialistas acredita que uma vacina provavelmente estará disponível em cerca de 12 a 18 meses. Perece que 60-70% das pessoas precisam ser imunes ao vírus para impedir que ele se espalhe facilmente, por isso a importância de ter uma vacina o quanto antes.

O vírus se espalha facilmente e por ser novo e desconhecido, a maioria da população do mundo ainda está vulnerável a ele. A vacina forneceria alguma proteção, “treinando” o sistema imunológico das pessoas para combater o vírus, para que não ficassem doentes ou pelo menos com os sintomas menos agressivos.

Também quero falar sobre a “fake news” de que o COVID-19 é uma jogada do governo e que a prova são os hospitais construídos para tratar pessoas infectadas estarem com pouquíssimos pacientes.

Desde o início da pandemia aqui no país, foi falado que esses hospitais estavam sendo construídos no caso os outros hospitais não terem a capacidade suficiente para atender a demanda e para não chegar ao que aconteceu na Itália, onde tiveram que usar a “escolha de Sofia” por falta de leitos e equipamentos.

Porém, felizmente o NHS (SUS daqui), está conseguindo atender a quase todos e somente alguns casos foram para os hospitais recém construídos.

Isso não quer dizer que os outros hospitais não estejam super lotados. Todos os dias a gente lê e assiste relatos e mais relatos de médicos(as), enfermeiros(as) e demais trabalhadores da linha de frente, contando como a situação está caótica, o quanto eles estão trabalhando, o quanto de pessoas está infectada, morrendo, sobrevivendo e tal.

Além do mais, cada região tem números diferentes de leitos e de pessoas internadas. Não tem como comparar um hospital em Londres, onde é a cidade mais infectada e uma cidadezinha no interior do país, onde talvez nem tenha o coronavírus.

É fácil tirar uma foto em um hospital lotado e dizer que está um caos, assim como ir em um hospital vazio e dizer que estão mentindo sobre a existência do vírus.
O que está valendo é a média geral e desde o início o governo foi muito claro, dizendo que se a população seguisse as novas regras, quem sabe nem precisaria usar esses novos hospitais.

Os tabloids daqui (jornais sensacionalistas) como The Sun, Daily Mirror, Daily Star, Daily Express Daily Mail, entre outros, passam muitas informações incorretas ou mascaradas e não se pode confiar totalmente.
Portanto, caso veja uma notícia vinda deles (ou de qualquer veículo de comunicação), pesquise, analise os dados, antes de distribuir informações incorretas.

Talvez eu deva explicar, que aqui na Inglaterra, o setor médico privado não está trabalhando diretamente com o coronavírus, por isso sempre falo apenas sobre o NHS.
Não importa sua condição econômica, se você estiver infectado, você será tratado pelo NHS.

Eu inclusive escrevi umas semanas atrás (aqui) sobre o setor privado de saúde ter fechado um acordo com o governo, onde disponibilizou quase toda a sua capacidade hospitalar nacional para o NHS.
Camas, ventiladores e equipe de saúde estão disponíveis para ajudar na luta contra o COVID-19 – além de outras enfermidades – graças a esse acordo.

Algumas pessoas estão reclamando, não só aqui, mas em diversos outros países, que não está sendo divulgado o número de pacientes curados. Mas a matemática é simples: pegue o número de infectados e diminua pelo número de mortos.
Pronto está ai o número que o governo está escondendo para a população achar que é muito mais grave do que realmente é e sei lá mais o que que as pessoas que gostam de uma teoria da conspiração falam.

O número de casos confirmados de coronavírus no Reino Unido atingiu mais de 143.000 e mais de 19.500 pessoas confirmadas como portadoras do vírus infelizmente vieram a falecer. Porém o número diário de mortes vem caindo nos últimos dias. 
No entanto, estima-se que o número real de infectados seja muito maior – pois no momento os testes foram feitos apenas nos hospitais e alguns funcionários do NHS e das casas de repouso.

Uma das maiores críticas ao governo é inclusive sobre a falta de testes, principalmente o fato de os trabalhadores-chaves não estarem sendo testados.

No dia 23 de Abril, o Ministro da Saúde Matt Hancock anunciou que expandiu o programa de testes e todos os trabalhadores essenciais e suas famílias podem se registrar e fazer os testes caso estiverem com os sintomas do coronavírus.

Os que podem se inscrever para o teste incluem trabalhadores do NHS e assistentes sociais, policiais, professores, trabalhadores do sistema judiciário, de transporte, de supermercados, produção de alimentos e jornalistas.
Caso você seja um dos trabalhadores essenciais, registre-se aqui: https://self-referral.test-for-coronavirus.service.gov.uk

Mesmo assim, o governo permanece um pouco aquém da meta de 100.000 testes por dia até o final deste mês, conforme prometido.
Os números do dia 24 mostraram 23.560 testes, embora Hancock tenha dito que a capacidade agora aumentou para 51.000 por dia. Como vão chegar aos 100 mil em menos de uma semana, é um mistério.

Outra notícia é que o NHS está testando um aplicativo para rastrear o Covid-19 entre a população, em uma base da Forca aérea Real em North Yorkshire.

Esse aplicativo instalado em cada celular, onde o usuário informa seus sintomas, funcionaria usando sinais de Bluetooth para registrar quando os proprietários de smartphones estão próximos – assim, se alguém desenvolver sintomas do Covid-19, um alerta será enviado a outros usuários que possam ter chego perto dessa pessoa e possivelmente estar infectado, avisando para se isolarem. 

Empresas como Airbus, Ford, Siemens e diversas equipes de Fórmula 1 trabalharam com a Penlon, fabricante de dispositivos médicos, para adaptar seu ventilador para que pudesse ser produzido rapidamente e em grandes quantidades.
O resultado desse esforço foi que essa semana foram entregues centenas de ventiladores em diversos hospitais do Reino Unido.

O Banco Central diminuiu as taxas de juros para 0.1% para facilitar o empréstimo para pessoa física e jurídica que estejam em dificuldades por conta da pandemia.

O foco é providenciar esses empréstimos, o que acabou causando impacto nos financiamentos de imóveis. Como o mercado imobiliário está parado por causa do isolamento, os empréstimos de financiamentos não estão sendo facilmente aprovados e os bancos estão pedindo valores de entrada maiores do que antes da crise.

As pessoas que estão com dificuldades também podem pedir uma pausa de até 3 meses nos pagamentos de empréstimos, financiamentos, cartão de crédito, aluguéis, etc, dependendo do banco usado.

No mais, aqui em Londres continuamos com a mesma falta de determinados produtos nos mercados, como farinha de trigo, fermento, álcool gel, sabonetes anti-bacterianos e alguns outros produtos não perecíveis.

As escolas do Reino Unido continuam fechadas e no momento, não existe previsão alguma de reabri-las. Existe uma discussão, pois uma possível solução seria não ter férias de verão (julho e agosto), porém isso seria injusto com os professores que estão trabalhando ainda, dando aulas virtuais ou mesmo dando aulas na escolas, para os filhos de trabalhadores essenciais.

E antes de eu terminar, eu preciso falar, que todas as quintas-feiras ás 20horas, continuamos aplaudindo o NHS e todos os trabalhadores essenciais.
Mas espero que depois que tudo isso passar, essas pessoas sejam mais valorizadas e que seus salários e condições de trabalho sejam melhorados. 
Um ótimo dia pra todos nós!

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2 comments

  • Legal Tali. Mais um texto bem detalhado que explica a situação aí. Parabéns! Bjo grande e vamos continuar nos cuidando.

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